
A solução é a autonomia administrativa, tributária e judicial das unidades da União. Estados autônomos, com leis próprias – esse é o caminho para uma melhor geração de riquezas, para o desenvolvimento do patriotismo, para um melhor controle dos recursos e dos problemas.
A leis devem ser municipais, no máximo estaduais. As leis federais devem ser reduzidas a um mínimo indispensável, como aquelas necessárias para o funcionamento do governo federal e manutenção da soberania nacional. Num país como o nosso não se pode pretender, por exemplo, que a legislação sobre o trânsito de veículos seja federal – cada unidade federativa tem suas peculiaridades (as normas de trânsito não podem ser as mesmas para municípios onde se tem neve, por exemplo), exigindo leis adequadas a cada situação.
Os impostos também devem ser municipais – no máximo, estaduais. E devem ser aplicados diretamente nos municípios e/ou estados onde são arrecadados, sem o atual passeio de ida rápida para os insaciáveis cofres federais e volta em câmera lenta e manejados por conta-gotas políticos. Impostos federais devem ser poucos, o suficiente para manter a máquina federal, os compromissos internacionais, as forças armadas, o Congresso Nacional (que deve ter a metade do atual número de parlamentares e funcionários) e o serviço diplomático.
Eu quero, portanto, uma verdadeira Federação no
Brasil.
Sei que os interesses contrários são enormes, a ponto de
terem impedido isso durante a Assembléia Constituinte, no
período
pré-1988. OK, mas para se implementar uma
federação
de verdade e com estados realmente autônomos seria preciso
emendar
a atual Constituição. E por que não? Afinal a
coitada
já recebeu tantas emendas, inclusive para permitir a
reeleição
do presidente!
Ah, mas nós temos uma "Constituição Cidadã", não é mesmo? E a nossa Magna Carta é realmente pródiga em direitos, mas lamentavelmente esqueceu das obrigações, os deveres. Assim, bandido não pode ser preso, e quando é preso, não chega à cadeia por ser réu primário, ou por ter bons antecedentes, como se essas premissas fossem virtudes e não obrigação de todo cidadão. E quando um criminoso chega à cadeia, finalmente se faz justiça, certo? Bem, isso depende – se ele tiver curso superior, por exemplo, tem direito a cela especial, etc, etc.....
E o que dizer dos "menores" de 16 e 17 anos, que têm o direito de eleger os dirigentes políticos e os parlamentares, mas não podem ser responsabilizados por seus crimes? A propósito, aqui temos não apenas a cultura da filosofia da corrupção, mas também os interesses na manutenção do aparato da justiça infanto-juvenil (juizados de menores, instituições para "reabilitação", conselhos tutelares, etc), uma pródiga e interminável fonte de empregos, influência e verbas públicas.
Como a nossa Justiça está sempre entupida de processos, afogada num emaranhado de leis e eternamente carente de recursos, a impunidade campeia. Como as nossas leis são frouxas na hora de aplicá-las (além dos infindáveis prazos e recursos), a impunidade campeia. Como as redes nacionais de rádio/televisão e a grande mídia insistem que é normal andar fora da lei, a impunidade campeia, e bem solta....
Eu quero um Brasil com menos corrupção, cada um
fazendo
a sua parte e dentro das normas legais, cada um limitando seus direitos
à linha divisória onde começam os direitos do
vizinho.
Eu quero um Brasil com estados autônomos e sem redes nacionais de
rádio e televisão, pois é sob essas (e outras)
condições
que podem atuar as forças da comunidade sobre os
indivíduos
que a compõem – e não dentro de uma grande panela, como a
atual organização social e política do Brasil,
onde
todo mundo mexe e ninguém se acha responsável por nada,
no
estado anárquico e egoísta do "me first" e "não
mexa
no status quo" pois tem uma turma se dando bem...
Eu quero ter o direito de anular meu voto ou votar em branco, quando meus dois neurônios julgarem que nenhum dos candidatos impostos "democraticamente" pelos partidos políticos é digno do meu voto, sem ter que ser submetido ao patrulhamento dos democratas de plantão, que me aconselham, nesse caso, a "votar no menos pior".
Eu também quero que seja estabelecido um número mínimo de votos para que um candidato seja eleito. Não em função do número de candidatos dos partidos ou de qualquer outro critério casuísta – um número mínimo votos, pura e simplesmente.
Quero que as eleições sejam coincidentes (tudo no mesmo dia), para evitar os gastos astronômicos cobertos pelos cofres públicos (nosso bolso), e para minimizar a chateação imposta aos eleitores.
Eu quero que acabe o "segundo turno" – que vença o mais votado, como já faziam os romanos.
Também quero que se acabe com a figura do suplente.
Político
que morre, renuncia ou assume outro cargo não pode ser
substituído
– em primeiro lugar, essa vacância é um problema do
partido
político ("azar do goleiro", como se dizia lá em
Cachoeira).
Em segundo lugar, a gente elege o titular, e não um suplente
(geralmente
um completo desconhecido).
Quero que o Brasil reduza o tamanho e o poder da sua delegação junto ao fundo Monetário Internacional (FMI). Que se acabe de vez com a hipocrisia (cut the crap, como se diria em bom inglês) de "submeter a soberania nacional às receitas recessivas do FMI", quando se sabe que as medidas impostas pelo Fundo têm origem aqui mesmo, no Brasil. Ora, senhores, é verdade que a maioria da população é desinformada, mas nem todos o são. Além disso, sempre tem a Internet, essa bendita fonte de informações...
Eu quero que os gestores da política de privatização sejam responsabilizados pelas imensas somas de dinheiro público investidas, convenientemente antes das vendas, em empresas, rodovias, terminais portuários, ferrovias, etc.
Quero que os impostos tenham alíquotas menores (ampliando-se a base de contribuintes, por exemplo), que o número de impostos seja reduzido a uma meia dúzia, e que se facilite a arrecadação (uso de cheques via correio, eliminação dos formulários e guias, etc), deixando-se de humilhar o contribuinte na hora em que seu dinheiro lhe é tomado.
Junto com a facilidade da arrecadação e a redução das alíquotas e do número de impostos, quero que os juros sejam reduzidos a níveis civilizados, para que voltem os investimentos internos e se estimule a produção e a conseqüente geração de empregos.
Quero que se permita a entrada do capital estrangeiro no Brasil, mas
que ele fique sujeito à mesma taxação que o
capital
nacional. Quero que o lastro da nossa moeda seja real (sem
trocadilho),
ou seja, com base em ouro, na poupança interna e na totalidade
da
produção agrícola negociável (commodities).
Mas a gente tem isso? Tem, basta organizar. Tudo bem, nos primeiros
tempos
esse lastro não fará da nossa moeda a mais forte do
mundo.
Mas esse é o único lastro que existe (a experiência
irresponsável com o capital especulativo internacional deu no
que
deu). Com persistência e vergonha na cara, em pouco tempo o
dinheiro brasileiro pode tornar-se estável, e até mesmo
forte.