Os bancos aglomeram-se, fecham, desaparecem. E o governo ainda cria programas de ajuda para os coitadinhos... Os bancos cobram quantas tarifas quiserem e nos valores que quiserem. E isso tudo para usar o nosso dinheiro, que é emprestado a juros astronômicos, gerando lucros fabulosos.
Paga-se para ter um cartão magnético, que é só o que o banqueiro quer a gente use para movimentar o nosso dinheiro – ele não quer mais que os clientes utilizem os caixas, como sempre se fez. Não. Hoje, o banqueiro quer empregar o mínimo possível de funcionários, e isso inclui os caixas. Agora os bancos querem que a gente use apenas os caixas automáticos para movimentar o nosso dinheiro, muito mais baratos para o banqueiro. O que não seria de todo ruim (exceto para a massa brasileira sem cultura para fazer isso), se houvesse um número razoável de caixas automáticos, se todos esses caixas funcionassem bem (e sempre), se esses caixas tivessem para saque as notas que o cliente (dono do dinheiro) precisa, se os pagamentos programados nunca falhassem e se esses comprovantes fossem aceitos por todos os agentes econômicos (como gostam de dizer os economistas).
Na minha agência do Banco do Brasil (BB), os clientes foram empurrados para fora do banco, propriamente dito, no que que chama de "área de auto-atendimento". Essa área, pequena, acanhada, mal iluminada e sem segurança, contrasta vergonhosamente com o verdadeiro "salão de baile" que existe do outro lado da parede -- onde antes havia um banco, com caixas e tudo mais. Do outro lado da porta de giratória com detetor de metais, há uma orgia de espaço e segurança. Do lado de fora (auto-atendimento), um cubículo, onde existem apenas 2 (duas!) mesinhas, com cerca de 20 cm de largura por 80 cm de comprimento, para que dezenas de clientes preencham seus formulários de depósito, carnês de pagamento, cheques, etc - tudo isso em apenas duas mesinhas acanhadas, onde todo mundo pode ver o que a gente está escrevendo no cheque ou no formulário, batendo com os cotovelos no cliente do lado e ainda tendo que agüentar o sacudir das frágeis mesinhas, onde o espaço de escrever é humilhantemente disputado, centímetro a centímetro. E tudo isso para movimentar o nosso dinheiro e contribuir para o enriquecimento do banco! Ora, se o banco quer empurrar o cliente para fora da agência e fazer com que ele utilize apenas máquinas (infinitamente mais barato para o banco), então precisa propiciar ao usuário condições mínimas de dignidade e de cidadania (isso sem falar nos direitos do cliente).
O banco cobra pelos talões de cheque que fornece (quando fornece, pois minha agência do BB agora obriga o cliente a montar seu próprio talão, tendo que fazer um download numa máquina das folhas de cheque), para que o cliente possa movimentar o seu dinheiro em poder do banco. Cobra pelos extratos (que uma máquina fornece, a um custo de zero-vírgula centavos). Cobra para fazer um cadastro do cliente, e cobra para renovar esse cadastro (?) uma vez por ano. E para se ter um cartão de crédito (com o qual o banco vai ganhar ainda mais dinheiro), paga-se também – e caro. O Banco do Brasil cobra por tudo, até para receber depósitos em dinheiro (o dinheiro do cliente, que o banco vai usar para ficar mais rico)!
Os bancos aceitam correntistas se quiserem (para usar o nosso dinheiro), estabelecem as normas que quiserem, discriminam quem e quantos quiserem, cobram estacionamento do cliente que vai ao banco para tornar o banco mais rico, etc.
Esta é a ditadura dos bancos, uma casta intocável. É ditadura porque o establishment determinou que tudo precisa passar pelos bancos. É intocável porque os bancos são parte do establishment. Portanto, azar da turba! Não tem saída, a menos que....todo mundo resolva retirar seu dinheiro do banco (guardá-lo debaixo do colchão, comprar dólar, etc) por uns tempos – isso faria com que os banqueiros imediatamente mudassem as regras da ditadura, e saíssem à caça de depositantes, pois não haveria Proer suficiente para todos....